Luiz Minguetti PDF Imprimir E-mail
Ter, 21 de Dezembro de 2010 14:33

Luiz Minguetti nasceu em Pirajui aos 24 de julho de 1918. Filho de Santo Minguetti e Dna Maria Beltrani Minguetti, imigrantes italianos. Casou-se com a Sra. Gessy Gallego, nascida no dia 1º de junho de 1920. Teve 4 filhos: Gilberto nascido na cidade de Planalto, em 29 de agosto de 1939,

Guilberto nascido em Garça, em 02 de abril de 1941, Gilclélia nascida na cidade de Jundiaí, aos 24 de novembro de 1949 e Georgina, nascida em Jaú, aos 13 de maio de 1955.

Luiz Minguetti, quando criança, começou a aprender música movido pelo seu dom natural e pela ajuda de seu pai que trabalhava na lavoura, na cidade de Cafelândia. Na adolescência, trabalhava com bicos em sua cidade, mas já dominava bem o instrumento que o acompanhou durante toda

a vida, o pistom. No início de sua vida adulta, teve a grande felicidade de encontrar Gessy Gallego, com quem casaria em 12 de setembro de 1938 na cidade de Mirassol. Cerca de um ano após, 1939, nascia o primeiro filho do casal, o Gilberto. Em 1941, o segundo filho, Guilberto, em 1949

a Gilclélia e, finalmente, em 1955, a Georgina. Logo após o final da segunda grande guerra, sempre como autodidata, foi admitido no Ministério da Aeronáutica como músico da Banda Militar da Base Aérea de Cumbica, naquela época exclusivamente para aviões militares. Neste tempo,

1946/1947, Luiz Minguetti morava com sua família no Largo do Arouche em São Paulo e, ali, no Largo do Arouche, por  um ou dois anos, a família viveu tranqüila, em paz. Paz esta que não se prolongou por muito tempo porque, no afã de ajudar seus irmãos que passavam por dificuldades,

Luiz pediu baixa da aeronáutica indo trabalhar numa pequena empresa de construção civil de seus irmãos Paulo e Pedro.

As dificuldades, à partir daí, passaram a ser muito grandes, pois os negócios não correram como esperado e todos começam a sentir o peso da crise. Assim, Luiz, para não permitir a fome de seus filhos, passou por uma série provações: de dia, trabalhava como pedreiro, e, à noite, como

músico de Clubes ou boites.

Do Largo do Arouche, com sua família, mudou-se para o Tucuruvi, e, depois, para Vila Maria.

Na crescente desta crise, quando na Vila Maria, Luiz, afortunadamente, recebeu um convite para tocar em uma orquestra de um clube da cidade de  Uberlândia, convite este que aceitou prontamente, pois isto representava a redenção da família, a reconquista da paz. Em Uberlândia (

1951/1952), Luiz permaneceu com sua família por dois felizes anos. Mas, como a vida do artista é imprevisível, estes dois anos de paz e felicidade foram abalados pela notícia da insolvência da orquestra formada por 18 a 20 músicos da melhor qualidade, quase todos provenientes de

São Paulo e Rio. Esta nova dificuldade obrigou-o a uma mudança de rumo, e os projetos de estabilidade familiar levaram todos a vagar em busca de novas oportunidades. E assim foi até que o destino novamente sorriu, permitindo que o Saudoso e querido amigo, Waldomiro de Oliveira,

músico de qualidades excepcionais, líder nato, de irrefutável qualidade moral e de um acurado senso artístico, foi, após receber informações de amigos, encontrar-se com Luiz na cidade de Pederneiras, onde Luiz trabalhava por um período.

Já na primeira conversa Waldomiro convenceu Luiz a ingressar na Orquestra Continental de Jaú e foi assim que toda a família veio para esta que seria sua verdadeira cidade natal (1953). Vieram todos para Jaú e foram adotados por esta cidade maravilhosa, construindo aqui suas vidas e

aqui conquistando seus únicos e queridos amigos de fato, insubstituíveis nas horas alegres ou tristes.

Logo no início de sua vida escolar, no Instituto de Educação ainda em seu prédio antigo, os filhos do Luiz foram “apresentados” a Dna Irma e ao Seu Cassiano, por força da “fome” e “sede” durante os intervalos das aulas. O sabor dos salgadinhos e doces (Ah, aquele “sonho” maravilhoso),

da Dna Irma associado ao paladar de um guaraná fabricado pelo seu Carlito a três ou quatro quadras dali, ou mesmo de uma saborosa coca-cola, para os dias mais abastados, enchiam o recreio de felicidade e os tornava mais resistentes à “pelada” do intervalo e ao restante das aulas que

estavam por vir.

Nesta época, já causava inveja a fanfarra que o Seu Cassiano dirigia com tanta firmeza e dedicação e todos procuravam nela um lugar para brilhar. A qualificação individual, contudo, nem sempre rompia as rígidas regras estabelecidas pelo Seu Cassiano e, nesta época, participar da fanfarra

era realmente um sonho de muitos, mas uma conquista de poucos. Mais tarde, quando a fanfarra transformou-se em uma “Banda Marcial” houve um clima propício para que o Seu  Luiz e Seu Cassiano se aproximassem mais e desta união mais íntima, liderança, ritmo e música se juntaram

para alcançar, com os anos, o apogeu da Banda Marcial.

Durante este tempo, Luiz Minguetti continuava tocando na Orquestra Continental.

Por volta de 1961/1962, a orquestra continental de Jaú, lamentavelmente, seguiu o trajeto descendente de todas as grandes orquestras de São Paulo, forçadas pelo advento dos grupos pops e conjuntos de rock que passaram a substituí-las nos grandes eventos sociais. Assim, Luiz Minguetti

foi residir na Barra Bonita onde passou a cuidar da Banda da Usina da Barra e da escola de música local, ambas criadas por ele e patrocinadas pelo também saudoso Orlando Ometo que, além de carinhoso patrão revelava-se como amigo e benemérito, tendo auxiliado um dos filhos do

maestro durante seu curso na faculdade de Medicina.

Por motivos econômicos, a Banda da Usina da Barra encerrou suas atividades por volta de 1964/1965, obrigando o nosso personagem a voltar para Jaú. À partir daí, passou a dar aulas de música na escola de música municipal, auxiliar na banda municipal de Jaú e tornou-se ainda Maestro

da Banda Municipal de Bocaina, sempre ensinando e estimulando novos músicos.

Em 1971, após séria crise anginosa, o diagnóstico terrível de um imprevisível infarto do miocárdio tirou-lhe a alegria de participar da festa de formatura de seu filho médico. Seu médico local, o cardiologista Dr. Carlito, recomendava-lhe repouso absoluto, impedindo-o de viajar para

Curitiba. Assim, um dos seus grandes sonhos, o de ver seu filho recebendo o grau de médico, não pode se concretizar e a tristeza  invadiu também o coração de toda a família. Durante cerca de 15 anos, Luiz Minguetti debateu-se contra a doença podendo, contudo, neste período,

manter uma vida agradável, feliz junto a seus filhos e netos, dedicando-se a escrever músicas, continuando a ensinar os jovens e adultos na arte musical, evitando porém o pistom, seu companheiro de longa data, por recomendação médica.

Em 1986, uma crise súbita de hemiplegia causada por um acidente vascular cerebral isquêmico obrigou-o a um internamento de urgência na Santa Casa de Misericórdia de Jaú. Ali permaneceu por alguns dias, tendo sido posteriormente  removido para a cidade de Telêmaco Borba,

onde moravam suas filhas Gilclélia e Georgina. Após alguns dias naquela cidade, ele foi removido para Curitiba onde morava seu filho Guilberto. Uma semana após seu internamento no Hospital do Coração de Curitiba, por volta das três horas da madrugada, quando conversava

com a enfermeira e olhando a noite linda e estrelada lá fora, e declarando-se amante da noite, do luar, como se exaltasse toda sua vida espelhada no brilho das estrelas e no esplendor da vida do artista que era, sofreu súbita dor no peito e um embolismo pulmonar grave tirou-lhe

a vida naquela madrugada do dia 03 de outubro de 1986, aos 68 anos. Seu corpo foi transferido para Jaú, sua verdadeira terra natal, e aqui velado e enterrado, cercado pelo carinho dos familiares e amigos. Em nossa memória, sua lembrança é a de um homem fraternal, simples,

alegre, cordial, sincero e de uma índole invejável, exemplar. Só uma pequena ponta de tristeza sua lembrança nos trás, a de não nos ter permitido conviver com ele e sua companheira por um tempo mais prolongado. Compartilhar com ele um pouco mais de nossas vidas, nossas

alegrias, apresentar-lhes seus novos netos e bisnetos.

Mas, esta homenagem que a cidade de Jaú e seus amigos mais íntimos, particularmente os componente da Banda Marcial, lhe prestam, eternizando o seu nome em nossa comunidade, nos torna bastante orgulhosos e agradecidos.

Senhores e senhoras, queridos amigos, nós da família do Sr. Luiz Minguetti e de Dna Gessy Gallego Minguetti somos sinceramente gratos por esta homenagem que reforça nossos laços de amizade por todos, que nos leva a uma reflexão profunda sobre nossas raízes, sobre nossas

vidas. Nosso respeito em especial a família do “Tio” Cassiano e pelo mais ilustre de seus afilhados, o Dorlan.

Fonte: Vera Lúcia de Toledo Pedroso - http://www.bandamarcialdejau.hpg.ig.com.br/minguetti.htm

Última atualização em Sex, 15 de Julho de 2011 18:00