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Reportagem Histórica - transcrição

Publicada no Jornal da Cidade - Bauru, SP - Caderno JC Cultura do dia 12 de dezembro de 1996, página 21 com a manchete "CD homenageia Orquestra Continental de Jaú". (reportagem de meia página do jornal). Texto de Eliane Barbosa e foto de João Rosan.


É muito provável que as gerações mais novas não sejam capazes de avaliar o significado profundo que a Orquestra Continental possui não só para a cidade de Jaú, bem como para a própria história da música no Brasil".

Quem faz essa análise é o jornalista Luís Henrique Marques que, ainda enquanto estudante do curso de Comunicação da Unesp de Bauru, produziu, em 1991, um trabalho que conta, em linguagem jornalística, a história das orquestras Continental de Capelozza de Jaú. Ele revela que, embora "verdadeiros patrimônios histórico-musicais da cidade", pouco ou quase nada havia em termos de publicação acerca desses dois grupos até produzir a sua pesquisa.

"Jaú em ritmo de baile", nome dado ao trabalho de 80 páginas do jornalista jauense, cujo orientador foi o professor e sociólogo Murilo César Soares, ainda não publicado, embora haja cópias do mesmo catalogadas em acervos bibliográficos de dois órgãos de pesquisa histórica da região, além da própria Unesp/Bauru e Câmara Municipal de Jaú.

"Tive dificuldades, inicialmente para escrever a respeito das orquestras" conta Marques, que acabou se tornando um "especialista" a respeito do assunto. Ele garante que pouquíssimo material escrito existe sobre o tema. "O que produzi, inclusive, foi fruto principalmente de entrevistas que realizei com alguns dos ex - integrantes das orquestras que ainda vivem em Jaú", revela.

Os irmãos Amélio e Plácido Antonio Capelozza (o segundo, entrevistado por Marques). Fundadores dos dois grupos, já faleceram. Com eles, muitos que passaram pelas jazz bands de Jaú, já não estão mais vivos.

Em seu trabalho, Marques recupera detalhes da vida das orquestras de salão de Jaú, cujo sucesso, sobretudo nas décadas de 50 e 60, "projetou o nome da cidade". O jornalista conta que as orquestras, especialmente a Continental, a partir da direção de Waldomiro de Oliveira, não só gravou os dois LPs (considerando um fato extraordinário para a época), como também acompanhou em bailes, no rádio ou TV, gente famosa, como Hebe Camargo, Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Marlene, Inesita Barroso, Gregório Barrios, entre outros.

Tendo como "pano de fundo" a época dos "anos dourados", dos "cartazes" do rádio, do advento da TV e dos grandes bailes, a pesquisa busca registrar a trajetória das orquestras de Jaú, bem como o "ambiente de um período da história de uma cidade de tradições arraigadas".

O jornalista explica que sua pesquisa não quer ser um canal para "ufanismos, saudosismos e outros "ismos", mas um retrato o mais fiel possível de uma realidade, capaz de mostrar que o passado reserva tanto lições negativas - como certos preconceitos e alienação - quando lições positivas - como o lirismo e a inocência".