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Baile de Gala

"UMA SAUDADE PRESENTE"

ORQUESTRA CONTINENTAL DE JAÚ

1942 - 1968

Salvar

 


O lançamento ocorreu nas dependências do Senac em Jaú (SP) e contou com a presença do Prefeito Punicipal, Secretária de Cultura e jornalistas.

 

1 - AGORA É CINZA de Bide e Armando Marçal - arranjo de Luiz Mingetti

2 - LOVE IS MANY SPLENDORED THING de Webster / Fai - arranjo de Vadico. (Incluída na trilha sonora da novela do SBT "Os Ossos do Barão").

3 - FRENESI de Alberto Dominguez - arranjo de Charles Rodrigues.

4 - LA BLUSA AZUL de Izabelita Serpa - arranjo de Astor.

5 - PERFÍDIA de Alberto Dominguez - arranjo de Aldo Taranto. (Incluída na trilha sonora da novela do SBT "Os Ossos do Barão").

6 - ESCUTA de Ivon Cury - arranjo de José Lima e Romeu Fornalé.

7 - DELILAH JONES de Sylvia Fine e Elmer Berstein - arranjo de José Moura.

8 - OLHOS VERDES de Vicente Paiva - arranjo de Aldo Taranto.

9 - DOIS CORAÇÕES de Pedro Salgado - arranjo de Luiz Minghetti.

10 - BLUE STAR de Victor Young / Edward Heyman - arranjo de Vadico.

11- MANHATTAN de Richard Rodgers / Lorenz Hart - arranjo de Charles Rodrigues. (Incluída na trilha sonora da novela do SBT "Os Ossos do Barão").

12- FITA AMARELA de Noel Rosa- arranjo de
Luiz Mingetti

13- ESTE TEU OLHAR de Antonio Carlos Jobim - arranjo de Astor.

14- VEREDA TROPICAL de Gonzalo Curiel - arranjo de José Lima e Ariovaldo Leoneli

15- BESAME MUCHO de Consuelo Velasquez - arranjo de Charles Rodrigues.

16- FEITIO DE ORAÇÃO de Vadico e Noel Rosa - arranjo de Vadico.

 

A mais famosa orquestra de danças do interior paulista apresentou-se em quase todos os clubes, estâncias hidrominerais e hotéis importantes, nos seus principais bailes de gala – formaturas, coroação de misses, desfiles de moda, comemorações e aniversários de cidades. O som da Orquestra Continental de Jaú, época  romântica nos “anos dourados”, inspirou muitos casamentos.

Era conjunto moderno, formado por 19 músicos-professores, instituído pelo sistema de cooperativa, onde cada componente era sócio, como as existentes nos Estados Unidos. Teve como exemplos as orquestras dos saudosos Glenn Miller, Tommy Dorsey e as de Ray Anthony, Les Brown, Les Elgart.

Os equipamentos, de poucos recursos técnicos, e até o ônibus pertenciam ao grupo. Os críticos especializados exaltavam como uma das melhores, mais bem organizadas e duradouras (26 anos) orquestras do Brasil.

Em 1956, atingiu o auge da atividade ao abrilhantar 110 bailes. Entre dezembro daquele ano e janeiro de 1957, bateu o próprio recorde abrilhantando 34 bailes de formatura, quando executou cerca de 250 músicas por noite. Os contratos desses bailes eram firmados com antecedência de até um ano.

A Orquestra apresentou-se em mais de 300 cidades de seis estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro.

Ganhando fama, a Continental participou de shows nos programas das rádios Nacional (na época, a catedral da música popular brasileira) e Mayrink Veiga (Rio), na TV Tupi (Rio e SP) e boates. Suas gravações fizeram muito sucesso no Brasil e no exterior.

Em diversas cidades, cantores famosos na época foram acompanhados pela Orquestra Continental de Jaú, tais como: Jamelão, Lúcio Alves, Elza Soares, Maysa, Ivon Cury, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Dóris Monteiro, Miltinho (veja o vídeo da música "Meu nome é Ninguém, cantada pelo cantor), Marta Mendonça, Anízio Silva, Francisco Alves, Agnaldo Rayol, Ângela Maria, Hebe Camargo, Inezita Barroso, Marlene, Blecaute e os internacionais Gregório Barrios, Pedro Savedra, Lolita Rios, Lilian Roy e Chiquito.

Em duas décadas de existência, dezenas de músicos profissionais tocaram na orquestra. Destacamos os componentes que participaram das gravações no Rio de Janeiro. Saxofones: Domingos, Joaquim, João, Milton e Romeu. Trompetes: Carmelo, Luiz, Danilo e Ariovaldo (Tite). Trombones: João, Jesus e Firmo. Tuba: João Antonio. Piano: Charles. Violão: Alceu e Lima. Guitarra havaiana: José Lima. Contrabaixo: Giácomo. Bateria e bongô: Geraldo e Rubens.

Arranjadores que participaram dessas gravações. Do Rio de Janeiro: Aldo Taranto, Vadico (Oswaldo Gagliano), José Moutra e Astor. Arranjadores exclusivos da orquestra: os trompetistas Luiz, Tite e Danilo, o pianista Charles, o guitarrista Lima e o saxofonista Romeu.

Regência: maestro e “crooner” Antonio Waldomiro de Oliveira, que, pelo idealismo, perseverança e destacada atuação nos movimentos musicais da cidade, foi responsável por mais esse trabalho. Supervisionou todos os passos da produção e financiou com recursos próprios a edição deste CD, lançado no final do semestre de 1996

 

Comentários sobre algumas composições:

 

LOVE IS MANY-SPLENDORED THING, de Webster/Fai – Arranjo de Vadico.

 

O filme "O suplício de uma saudade" foi rodado em Hong Kong, no Sul da China e no Sudeste da Ásia. Na pequena praia de HK, com muitas esculturas exóticas, podia-se ver, na outra margem à direita, não muito distante, uma casa pintada de azul, local das cenas desse filme que marcou época nos anos 50. A casa foi demolida e ali construíram  um edifício de médio porte, à beira da baía.


FRENESI, de Alberto Dominguez – Arranjo de Charles Rodrigues.

 

É um bolero que fez muito sucesso na época dos "anos dourados". No primeiro LP, não havia espaço entre as faixas. O som da guitarra havaiana, executada por José Lima, fazia a modulação e preparava a música seguinte.

Na contracapa do “long play”, consta um comentário do editor: ‘FRENESEI’ “faz-nos lembrar os áureos tempos da banda de Glenn Miller. Da introdução às paradas imprevistas, dos solos virtuosos aos apartes do ritmista, tudo acontece de forma imaginosa e elegante”.

 

MANHATTAN, de Richard Rodgers/Lorenz Hart – Arranjo de Charles Rodrigues.

 

Essa composição foi gravada por quase todos os grandes músicos do mundo, principalmente os que atuavam e atuam até hoje na Broadway.

BLUE STAR, de Victor Young/Edward Heyman – Arranjo de Vadico.

 

Vadico era arranjador excepcional. Sabia explorar os efeitos de uma grande orquestra.

 

FEITIO DE ORAÇÃO, de Vadico e Noel Rosa – Arranjo de Vadico.

 

O escritor Rui Castro, no livro "Chega de Saudade", bíblia da música popular brasileira, diz que "o lendário Vadico, parceiro de Noel Rosa, (...) na sua longa experiência como arranjador em Hollywood nos anos 40 e como regente da orquestra que acompanhara a bailarina Katherine Dunham em excursão à Europa em 1949, (...) foi arranjador da rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro (...).

 

FITA AMARELA, de Noel Rosa – Arranjo de Luiz Mingetti.

 

 

Observe que no final dessa gravação o ritmo de samba é mudado para bossa nova. Era a nova onda. Gravado em 1959, quando esse movimento musical dava os primeiros passos. Desde então, mudou completamente a história da música popular brasileira.

 

AGORA É CINZA, de Bide e Armando Marçal – Arranjo de Luiz Mingetti.

 

 

 

Luiz Mingetti era um dos trompetistas da orquestra e também um dos arranjadores exclusivos. Escrevia muito bem para bandas de música. (No acervo do Memorial JK, em Brasília, há partitura para piano de música que ele compôs para o então senador Juscelino Kubitschek quando visitava o interior de SP. Chama-se "Marcha para o Oeste" e a transcrição para piano foi feita por Charles Rodrigues.)

 

PERFÍDIA, de Alberto Dominguez – Arranjo de Aldo Taranto.

 

Outro bolero muito conhecido e gravado por cantores de todo o mundo. O arranjador Aldo Taranto era, na ocasião, o diretor musical da gravadora Internacional.

 

DELILAH JONES, de Sylvia Fine e Elmer Berstein – Arranjo de José Moura.

 

Outro comentário na contracapa do LP: “Alguns números assumem particular relevo, resultante do tratamento especial de que se revestem. Como exemplo, apontamos o fascinante processo de recriação do arranjador Moura para a melodia ‘Delilah Jones’, surgida no filme ‘O homem do braço de ouro’, uma das faixas exponenciais do disco”.

 

DOIS CORAÇÕES, de Pedro Salgado –  Arranjo de Luiz Mingetti.

 

 

Era tradição da Orquestra Continental de Jaú encerrar os bailes com algum vibrante dobrado, quando se transformava em "bandinha de interior". O público sempre esperava por esse número final. Era a "saideira"... quatro horas da manhã.

 

Jaú, terra do comandante João Ribeiro de Barros, (www.joaoribeirodebarros.com.br) o qual fez a histórica travessia do Atlântico em 1927 pilotando o hidroavião Jahu, volta ao cenário musical brasileiro com este raro presente para os amigos e admiradores das "big bands".

O CD foi produzido por Atração Fonográfica. (11) 2188-0944.

 

Última atualização em Sex, 15 de Julho de 2011 18:01